Arquivo da tag: emagrecimento

Quantas Calorias Um Treino de CrossFit Queima?

Assine nossa newsletter para receber o vídeo 8 exercícios para melhorar o snatch

Você sabe quantas calorias são queimadas durante um treino de CrossFit?

Será que esse número é realmente importante e um motivo para treinar. Ou será que o treino deve ter outros objetivos que não esse, mesmo se você estiver interessado em emagrecer.


Curta nossa Fan Page no Facebook para continuar acompanhando nossas postagens:

facebook_like_button

Anúncios

Porque Não se Preocupar Com O Percentual de Gordura

O percentual de gordura corporal é uma medida que está presente em qualquer conversa de entusiastas de fitness e uma medida quase obrigatória em qualquer visita a nutricionista, mas será que ela é realmente fidedigna? E qual a sua função?

O percentual de gordura do corpo, foi adotado por muitos como medida de obesidade devido as dificuldades do IMC – Índice de Massa Corporal – predizer obesidade em indivíduos  com muita massa muscular, já que ele não divide a gordura da massa magra. O problema é que em determinado momento muitos tomaram ele como uma forma de avaliação de saúde geral e condicionamento físico.

Apesar da obesidade ser correlacionada a diversas causas de morte prematura, dentro de um limite existe pouca ou nenhuma correlação entre saúde e condicionamento e percentual de gordura, o que é demonstrado por alguns atletas do CrossFit Games notóriamente “gordinhos” como Jason Khalipa e Camille Leblanc Bazinet que por muitas vezes batem seus pares mais magros, Além disso o percentual de gordura pode ter uma relação enganosa com a aparência de um atleta, pois a gordura pode estar localizada em partes diferentes do corpo, ser subcutânea ou visceral, entre muitos outros fatores.

Medições X Estimativa

Outra limitação do percentual de gordura, é que os testes realizados por ele não são medições, são estimativas, ou seja, eles tem uma margem de erro que deve ser considerada.

Os dois métodos mais utilizados atualmente para se medir o percentual de gordura são a medição de dobras com calculo de Jackson Pollock e a Bioimpedância, ambos na verdade são estimativas baseadas em outro método que é a pesagem hidrostática, que por si só já tem um erro de 5% a 6%, que são acumulado nesses métodos, além disso eles dependem de protocolos para controlar a hidratação do atleta e no caso das dobras a perícia do examinador. Em um estudo com fisiculturistas esses dois métodos chegaram a apresentar uma margem de erro de  +ou- 8% se comparado com método de 4 compartimentos que é o mais preciso atualmente, apenas usado em laboratórios. A margem de erro é tão grande que pode se dizer que inutiliza os resultados.

O DEXA Scam que seria uma forma de se obter uma estimativa mais precisa apresentou uma margem de erro de +ou- 5%, o que não pode ser considerado uma medição fidedigna. No geral, os métodos para se avaliar a composição corporal são poucos precisos para avaliar a condição de um individuo, e apesar de poderem ser uma ferramenta auxiliar para se avaliar o desempenho de um atleta e sua dieta, tem pouca ou nenhuma relevância por si só e o investimento em algum deles tem que ser considerado em relação a sua margem de erro.

 

As 4 ciladas em que você pode cair quando quer ‘entrar na dieta’: Pt1

1. Achar que a dieta da amiga bombada-sarada-magrela, ou da revista Boa Forma, ou da blogueira fitness, ou do Dr. Atkins vai fazer um milagre em você.
Nosso corpo funciona à base da energia que vem dos alimentos e abastece todas as nossas células, através de um sistema incrível chamado de metabolismo. O metabolismo determina todas as transformações que ocorrem após a absorção do bolo alimentar pelo sistema digestivo, sendo estas transformações catabólicas, quebra constitucional dos nutrientes, e anabólicas, síntese.
Ou seja:
  • a velocidade com que processamos a comida que ingerimos;
  • a quantidade de gorduras que será absorvida pelo tecido adiposo;
  • a quantidade de proteínas que será convertida em músculo,
Tudo isso é orquestrado pelo metabolismo, através da regulação de hormônios [1] como:
  • insulina: regula a entrada da glicose na célula para ser usada como fonte energética;
  • glucagon: regula a disponibilização de outros nutrientes quando há ausência de glicose ingerida;
  • catecolaminas: adrenalina e noradrenalina, regulam a disponibilização de gorduras para serem usadas como fonte energética;
  • hormônio do crescimento ou GH: regula a síntese proteica e hipertrofia muscular e tem ação catabólica no tecido adiposo;
  • hormônios tireoidianos: reforçam a ação das catecolaminas no intestino e no cérebro, interferem no débito e no ritmo cardíaco, regulação de GH, regulação da temperatura corporal;
  • leptina e grelina: hormônios gastrointestinais que regulam o apetite, a função neuroendócrina e o metabolismo de glicose e gorduras;
  • somatostatina: inibidor da liberação de insulina e glucagon;
  • testosterona: indiretamente, através da regulação anabólica do tecido muscular e portanto no gasto calórico basal.
E acredite se quiser, assim como temos aparências diferentes, temos também metabolismos diferentes.
A) Idade e sexo são fatores que influenciam na orquestra metabólica, através da diferente regulação hormonal. Por exemplo.: diminuição da produção de GH com a idade, menor produção de testosterona nas mulheres, entre outras. Qualidade e quantidade de sono, exercício, também oferecem estímulos para a melhora ou piora da regulação hormonal;
B)A orquestra metabólica TAMBÉM é determinada por fatores intrínsecos. “Qualquer alteração fisiológica acontece em função de alterações moleculares” [2], ou seja, o DNA comanda. Os níveis hormonais também são regulados pela a expressão, ou velocidade de funcionamento, gênica. Isto acontece dentro do núcleo celular. A expressão de cada gene, por sua vez, é determinada pela sequência gênica, portanto, o componente genético pode explicar em grande parte os diferentes níveis hormonais de pessoas parecidas, de mesmo sexo e idade. Falaremos mais deste sub-tópico em um próximo post;
C) A quantidade de massa muscular e de tecido adiposo influenciam drasticamente no controle metabólico. Estes dois tecidos estão cheios de receptores hormonais e a concentração destes receptores é determinada geneticamente e varia entre as pessoas;
Por exemplo, o tecido adiposo tem receptores alfa e beta-adrenérgicos que regulam a ação lipolítica, quebra de gordura, e lipogênica, síntese e armazenamento de gordura. Se  um indivíduo, por exemplo, tem dificuldade em perder gordura nas coxas, é provavelmente devido à maior concentração de receptores beta-adrenérgicos nesta região.
Só falamos aqui de individualidade biológica. Somos seres com DNA 99% igual, e mesmo assim somos únicos. Se você queria dicas de dieta e emagrecimento no geral são grandes armadilhas por causa disso, os resultados variam de pessoa para pessoa de acordo com inúmeros fatores, assim uma dieta que funciona para uma blogueira ou uma atleta pode não ser a melhor para você.
Continua na parte 2.
[1] Guyton, A.C. 2006. Textbook of medical physiology. 11th ed.
[2] Dias, RG & Silva, MSM, 2014. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25465030